Tudo o que me definia quanto pessoa desapareceu, TUDO. Quer seja do lado profissional, quer seja pessoal. Tudo o que eu era foi-se sem mais nada, num piscar de olhos. Não tenho crises de ansiedade mas o vital voltou a estar na carteira, just in case, e a verdade é que me sinto perdida, magoada, tal como uma garota indefesa. Sei que a isto se chama depressão, sei-o pela mudança de humor que me ocorre diariamente, sei-o pelo sentimento de querer discutir com todos e com ninguém, a vontade de fugir e ao mesmo tempo a inércia imensa que me tolhe os movimentos. Perdi-me quando as crises de ansiedade voltaram, fui-me afundando e quando achei que estava em recuperação, não estava, estava apenas a mudar de estado, do gasoso para o liquido mas nunca para o sólido. No meio de isto tudo tenho rasgos de felicidade, de entusiasmo, tenho a velha Cátia, ou a Cátia conquistada após a primeira batalha contra a ansiedade, ao de cima, mas são apenas rasgos, e uma andorinha não faz a Primavera.

Dói-me tudo, custa-me tudo, tenho medo de tudo, sobretudo de mim mesma e da inércia que me tolhe, de não saber mais quem sou. Um dia de cada vez, cada sorriso uma vitória, cada dia com entusiasmo, uma lufada de ar fresco e é isso e isso é tudo, por agora.

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