Porque não temos tempo, porque aceleramos o ritmo e temos dificuldade em “desligar” ao final do dia, porque achamos que o corpo está habituado a poucas horas de sono, porque nos habituámos há vários anos a não saber o que é uma noite de sono completa e longa…são várias as justificações que damos aos outros e a nós próprios para noites curtas, ou mal dormidas, sem percebermos que por vezes é aí que reside a cura para muitos dos nossos males, ou a linha que separa a nossa capacidade de nos mantermos sadios: mentalmente e fisicamente.

Eu, durante anos e anos fui assim. Lembro-me que por volta dos 14 anos a médica me dar victans e começar nos ansiolíticos sobre a ameaça de que se não dormisse ela punha-me de baixa e só voltaria a poder ir para a escola no ano seguinte.

A verdade é que eu sempre achei que não precisava de dormir muitas horas. Desde de pequena que me habituei a ir para a cama e demorar uma eternidade para adormecer, durante o ensino básico tive dois episódios de sonambulismo e pouco depois começaram os períodos de insónia. Nunca fui de fazer directas, mas também nunca consegui dormir após as 10h-11h da manhã independentemente da hora a que me deitava, e sestas só quando estava com algum vírus mais forte.

As crises de ansiedade vieram mudar toda esta relação. Comecei a perceber  que era nos dias após as melhores noites de sono que as crises eram menos recorrentes, que o meu humor era menos instável e que eu era “mais eu”. Depois apercebi-me que queria atingir essa tranquilidade sem recursos a medicação e passei a ler sobre o assunto. Ao mesmo tempo, cortei a ligação que fazia entre dormir e ser preguiçosa e retirei a culpa que sentia pelos dias em que dormir e dormir parecia ser a única actividade que conhecia. Quando fiz uma pausa no meu trabalho por três meses, demorei várias semanas a sentir que conseguia fazer mais do que estar na horizontal, mas a verdade é que aos poucos a energia voltou. Hoje, já não preciso de 10-12h de sono profundo, 7-8h são o suficiente para acordar sem me sentir cansada. Aos poucos, voltei a sentir energia para fazer desporto, em vez de me “arrastar”, voltei a querer fazer coisas e a mente voltou a ganhar criatividade, ao mesmo tempo, que passei a “honrar” uma boa noite de sono. Hoje é um dos meus truques para quando sinto o mundo a “desabar”. Nesses dias “rezo” para que o mesmo chegue ao fim e eu possa finalmente dormir, pois sei que no dia seguinte conseguirei ter outro ânimo para enfrentar as situações.

Dormir bem é um dos meus remédios preferidos contra a ansiedade, e tem resultado. Não descurem o vosso sono, com ou sem ansiedade.

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