Pensei que não viria aqui tão cedo, ou pelo menos não  enquanto estivesse de viagem. Vim cheia de esperança em saber controlar a minha cabeça, rendida à medicação diária por uns meses e segura de que tudo estava bem com o meu estômago e que eu só tinha que dar tempo ao tempo para o meu corpo ganhar energia  outra vez e bactérias boas. Vim cheia de esperanças num período de calma e regresso ao desfrutar da vida, um dia de cada vez, coisa que não tem acontecido, ainda que eu tente tirar o melhor de cada dia.

A cabeça parece melhor ainda que eu saiba que lá no fundo não esteja completamente bem. O corpo deteriorou-se, ou então  estava só demasiado fraco para a mudança de clima, de níveis de poluição, de alimentação… A mim pareceu-me uma pequena mudança, mas eu tenho, por experiência própria, que (ainda) não sei medir esforços nem tempos de recuperação.

Parece uma anedota, ou uma série de infelizes coincidências. Eu prefiro pensar que assim seja, do que afinal ter algo grave que me esteja a deprimir o sistema imunitário. Também sei que lido muito mal com a doença e que a minha ansiedade migrou nos últimos meses para a hipocondria, daí se tornar ainda mais difícil perceber a gravidade da coisa.

Curiosamente também tenho sonhado bastante com os “problemas” que ficaram em Portugal e não fosse este sistema em baixo e eu não quereria voltar a não ser para celebrar o Natal com os que mais amo.

Contudo, aprendi a ver o lado bom das coisas, dos dias, a viver devagarinho e a encontrar algo de bom em cada dia, mesmo quando esse dia teve febre e dores à mistura.

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