Hoje comecei a tomar medicação, escitalopram.

Sempre fui resisti a tomar medicação mas sei que me quero curada e de preferência sem ter o estômago,intestinos e afins a pagar facturas elevadas, por isso, após muito pensar (e doer-me o corpo) condescendi a tomar medicação. “Obriguei”, no entanto, o meu psicólogo a garantir que o psiquiatra não me iria deixar “drogada” e portanto fui a um da sua confiança. Após mais de uma hora de consulta, com direito a desenho com neurónios, receptores e funcionamento de recaptação de serotonina, lá saiu para tomar durante três meses, o escitalopram. Meio comprimido (5mg por dia), até o corpo deixar de ter efeitos secundários. Sei por isso que tenho à minha frente alguns (vários) penosos dias, com dores de cabeça, náuseas e alguma sonolência. Se vir pelo lado positivo, tendo em conta a situação: não estou a trabalhar neste momento, o que facilita o poder sentir náuseas e hoje em dia com tantos ansiosos e depressivos, já há vários medicamentos de última geração, como este, que minimizam os efeitos secundários. Este não engorda e caso me perturbe a vida sexual (quando a retomar) tenho permissão para não tomá-lo aos fins-de-semana (que raio, o médico acha que com esta idade o sexo se resume aos fins-de-semana?!).

O outro lado positivo do dia de ontem é que saí do psiquiatra rumo ao gastroenterologista (um amigo meu pediu a um amigo, gastroenterologista há muitos anos, para que no fim do turno me visse e dissesse o que achava),  após me apalpar toda a zona abdominal e de me fazer uma série de perguntas achou por bem uma endoscopia e uma colonoscopia.

Não me sabia maricas, mas quase trepei pelas paredes quando soube que 1) Mais de um dia sem comer, eu que sinto fraqueza quando não como qualquer coisa pelo menos de três em três horas, a não ser que a refeição tenha sido farta e gordurosa (e sim, ainda assim ando a perder peso); 2) Vou ser sedada. Pois, sedação lembra-me desmaios e é de longe o maior medo que tenho. Desmaiar (já aconteceu mais do que uma vez) foi sem dúvida a experiência mais traumática que tive em toda a minha vida,o meu maior pesadelo quando começo a sentir-me fraca e/ou nauseada, o melhor gatilho para um ataque de pânico. O despertar de um desmaio foi sempre algo violento (do resto não me recordo de nada), que me deixou sempre com uma sensação de impotência e vulnerabilidade extremas, para além dos nervos em frangalhos.  Por isso, foi algo que fez a minha ansiedade subir em flecha até agora. Contudo, e como há sempre um lado B, de bom, em tudo, já há muitos estudos que comprovam que o problema da ansiedade pode “morar” nos intestinos e por isso, com sorte, descobrem que há algo que após ser tratado eu recomeço a absorver nutrientes, ter que fazer desporto para gastar a energia e de bônus, volto a recapturar serotonina que é uma maravilha, sem precisar de medicação alguma. 🙂 E, pensando bem, se desmaiar de fraqueza na preparação, poupo na anestesia.

Até lá é bom que encontre algo onde entreter o cérebro ou vou ter muitos picos de ansiedade. Talvez adie o exame para quando a medicação estiver já a fazer efeito e me permita lidar contudo de forma mais tranquila. Sei que estou a fazer um bicho papão de algo que a maioria dos comuns mortais fazem “a dormir”, mas ainda assim não me deixa confortável.

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