Tomar decisões deve ser das coisas mais difíceis para mim e não tomá-las também, sendo que parte da minha instabilidade vem exactamente desses momentos em que me encontro “nas salas de espera da vida”, no lugar onde vivem os “nins”. Custa-me mais um “nin” do que um redondo NÃO, custa-me mais a iminência de uma catástrofe do que catástrofe em si. Quando algo corre mal, já eu estou preparada e de peito aberto à espera da mesma, mas aqueles momentos em que ainda não se sabe o desfecho, conseguem-me moer mais do que lidar com esse mesmo desfecho.

E isto sempre foi assim, desde de que me lembro, fosse para decidir algo tão banal como comprar uma blusa,ou que curso escolher. O processo de psicológico (racional e emocional) desgastam-me, ao ponto de hoje ficar “doente” só em pensar em ter de ir comprar algo para vestir ou uma prenda de anos. Talvez o que me custe mais é perceber o momento exacto em que coração e razão se unem, o momento certo para que não me arrependa mais tarde, ou o medo de errar, mesmo sabendo que é a errar que se aprende, e talvez por isso mesmo fui deixando que a vida e as expectativas sociais fossem escolhendo por mim, tendo apenas a tarefa de fazer o melhor que sabia no lugar onde me encontrava.

Tenho noção de que esta recaída veio principalmente porque fui-me colocando em “terras de ninguém” em muitos campos da vida, quis tomar a rédea da minha vida finalmente nas minhas mãos, mas sem ter aprendido antes a controlar o medo de tomar decisões, acumulando-as. Algumas dessas decisões tão importantes ao ponto de me fazerem questionar o meu sistema de valores. Agora, devagarinho, vou desatando esses nós, um a um, e a cada nova decisão, vejo a pressão baixar. Umas doem mais do que outras, umas vão acrescentar feridas “de guerra” às que já existiam, e provavelmente deixar-me mais céptica, menos sonhadora, mais racional, mas sei que todos irão contribuir para o meu crescimento pessoal.

Hoje o coração dói mais um bocadinho, na mesma medida em que se acalmou, e se se acalmou é porque a decisão a curto prazo  foi a melhor que poderia ter tomado (a longo prazo só o tempo o dirá), agora é deixar que o tempo e o travesseiro façam o seu papel.

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