Mindfulness, ou atenção plena: Chamem-lhe nova moda, chamem-lhe banha da cobra, de facto pouco me importa o que lhe chamam, e que de repente as livrarias estejam repletas de Mandalas para colorir como a última salvação contra o stress e ansiedade. Faço alguns exercícios de atenção plena que resultam comigo, mas não pinto livros, aliás, temo que este boom de actividades massificadas para a redução de ansiedade, sob o cunho do mindfulness, venham a colocar em causa o próprio termo  e a sua credibilidade, tal como aconteceu, por exemplo, com o termo sustentabilidade.

Um dos privilégios que se ganha com a ansiedade (sim que isto não é tudo só dramas e coisas negativas) é que de repente podemos fazer do nosso corpo um imenso laboratório, tendo-nos a nós próprios como cobaias de eleição.

Eu, com a minha veia de professor Pardal desenvolvida nos laboratórios da escola secundária e universidade, conjuntamente com a minha teimosia obstinação natural, e o meu raciocínio lógico de quem há muito, para além de ver para crer, tem que entender muito bem os mecanismos por detrás de cada fenómeno (e de como foi feita a amostragem  e analisados os dados 🙂 ), decidi investigar, dar o corpo ao manifesto (no sentido literal da palavra) e perceber o que é que afinal resulta comigo neste “jogo” contra a minha própria “mente”.

Por isso, passei a ler muito sobre o tema, artigos de opinião, artigos científicos, novas linhas de pesquisa,…e deixei o Luís (meu psicólogo) guiar-me,inicialmente de pé atrás, e pedi-lhe que me recomendasse artigos e os livros sobre o tema: quanto mais o entendesse mais preparada poderia/posso estar para lhe fazer frente. O Luís acabou por me sugerir artigos e autores, e, até, emprestar-me os seus próprios livros, e hoje, às vezes, já sou eu que digo: já leu este? Já ouviu falar sobre isto 😉

Alguma das coisas que resultam comigo

Victans:

É tiro e queda, mas quem quer viver uma vida inteira com s.o.s na carteira?! Para mim utilizar medicação de longa duração significa controlar os sintomas, nunca tratar verdadeiramente o problema, e se S.O.S. significa que estamos em crise, então significa que fisicamente o nosso corpo já esteve em esforço até este ser tomado. Não me parece nada de bom, portanto. Para já fazem ainda parte da minha vida, mas espero que voltem ao fundo da gaveta até que percam a validade.

Respiração para atenção plena:

Uma das coisas que testei, e comigo resulta, é a meditação com foco na atenção plena. Se quiserem o nome mais cientifico são as técnicas de Mindfulness Based Stress Reduction (MBSR). As bases da respiração consciente aprendi-as uma vez  numa das escolas de Swásthya Yôga (a única yôga com a qual me identifico). Deixei o Yôga, deixei de praticar a respiração consciente (se fosse a inconsciente já tinha morrido 😛 ) , mas quando iniciei a psicoterapia voltei a treinar, desta vez  como técnicas de relaxamento e redução de ansiedade. A Sofia, uma das minhas instrutoras de yôga, dizia que ao fazermos respirações abdominais (como a dos bebés) estávamos a massajar os nossos órgãos internos e a enviar-lhes a mensagem de que estava tudo bem connosco, para além de fazermos aumentar a oxigenação cerebral, por utilizarmos maior capacidade pulmonar (nunca mais me esquecerei desta explicação Sofia), e como tal, o nosso sistema nervoso parassimpático começa a contrariar o simpático – o responsável pelo rol de sintomas físicos das crises de ansiedade .

Eu quis saber mais e fazer mais. Li, pesquisei, troquei emails e comecei a utilizar os recursos gratuitos de MBSR do Pauloso – programa de 8 semanas que segue o modelo de curso do Jon Kabat-Zinn, mais conhecido pelo pai do mindfulness no Ocidente.

É um curso, mas eu sou lenta, leio muito, vejo os vídeos, e já cheguei à parte da meditação com yoga, mas só – demoro tempo a cumprir o que é pedido. Contudo, há algo que resulta que comprovei: body scan meditation ao deitar e 1) adormeço rápido; 2) as insónias desapareceram (a não ser quando estou doente) e 3) durmo profundamente e sem qualquer ansiolítico, coisa de que não me lembro de que ocorresse mesmo antes da desordem de ansiedade entrar pela minha vida a dentro.

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Confesso, ainda duas coisas: faço-o sempre deitada e não utilizo a versão disponibilizada no site mas uma que encontrei no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=obYJRmgrqOU. Já tentei outras mas na verdade esta é a que me dou melhor.

Há dias em que não tenho vontade, acho que estou cansada e quero é dormir, mas depois começo a rebolar na cama sem conseguir dormir. Ligo isto, sigo as instruções e adormeço.  Por isso para uma boa noite de sono, algo vital na redução do stress, já encontrei um bom alternativo a drogas e que sei que se for treinado, conseguirei utilizá-lo em outros momentos.

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