Quem acha que a ansiedade não vai connosco de férias ou de fim-de-semana, desengane-se. No meu caso, esta aparece exactamente nessas alturas, sem pedir licença, sem se preocupar com o facto de que estou a precisar de descanso e de diversão, se quero ter forças para aguentar o ritmo acelerado do dia-a-dia. Ainda não consegui entender, mas é exactamente quando relaxo que os sintomas físicos surgem. O início das férias pode ser um verdadeiro tormento, sendo que esse tormento pode demorar uma semana inteira a passar.

Não queria mesmo uma recaída, e tento a todo o custo manter-me optimista, mas quando percebo que tenho dores no estômago insuportáveis, que num almoço familiar sou obrigada a  levar um victan à boca, disfarçadamente, e que o meu braço esquerdo repousa “inanimado” sobre o meu colo, não consigo deixar de sentir uma revolta imensa. O mesmo se passa com o cansaço brutal, a necessidade de dormir  horas e horas seguidas e mesmo assim sentir-me  cansada.

As idas à praia tornaram-se, desde que a TAG (transtorno de ansiedade generalizada) deu ares de sua graça, verdadeiras “guerras psicológicas”, em que sinto o meu corpo todo mais sensível ao Sol, ao calor. Nunca fui de apanhar escaldões e muito menos de passar dias inteiros a “torrar ao sol”, mas este ano, por exemplo, uma simples meia hora ainda que besuntada de um protector solar xpto protecção 30, não evitaram deixar-me avermelhada. Tento não ligar, até porque sei que dali a umas horas o vermelho dá lugar ao tom bronzeado, mas a cabeça torna-se obsessivamente vigilante a cada borbulha, sinal ou erupção que possa existir na pele durante aquelas horas em que me encontro meio desnudada, a deixar-me acariciar pelo sol.

Aquilo que já foi um dos meus maiores prazeres tornou-se em mais um medo, cujas raízes residem no facto de ter mãe e avó com alergia ao sol e saber que eu preencho todos os requisitos para ser uma óptima candidata ao mesmo castigo. Não interessa que diga a mim própria que quando isso acontecer logo se vê, que até lá é aproveitar este pequeno prazer com moderação e cuidado, porque quando a cabeça não está bem, torna-se obsessiva, demasiado obsessiva, e nem o aqui e o agora são aproveitados – falta-me a estaleca de Mindfulness.

Por isso, nestas férias tomei mais victans do que alguma vez me lembro de ter tomado. Senti o meu humor oscilar a um ritmo vertiginoso (em horas), e dividi o tempo entre tentar descansar e idas ao médico.

Terminei as férias onde tenho das melhores recordações de infância, o local que sempre foi palco de sonhos e fantasias, e o meu corpo, após o “impacto” da mudança…relaxou.  Contudo, pouca foi a energia que restou para tentar fazer algo que me desse prazer ou precisasse resolver, e quando finalmente comecei a sentir-me relaxar estava na hora de voltar ao trabalho.

Nem sempre é fácil para os ansiosos estarem de férias e /ou de fins-de-semana, por muito estúpido que isto possa parecer, mas de facto é quando se pára que a ansiedade se manifesta em todo o seu esplendor (pelo menos a mim), e tanto surge numa festa de aniversário, num almoço com um amigo, como numa saída para dançar, sempre sem ser convidada e tantas vezes sem se fazer anunciar.

Já arranjei truques para que os outros à volta não se apercebam o que se está a passar e para demonstrar ao meu cérebro que está a ser tolinho, mas isso requer que eu tantas vezes tenha lutas internas comigo mesmo e é isso que leva ao cansaço.

Uma forma de isto não acontecer?! Nunca parar, aliás a ansiedade desaparece-me em momentos de trabalho a todo o vapor, pois é como se a mente entrasse noutra dimensão: acelero, perco a fome, o sono, tenho energia para dar e vender,…mas quando finalmente paro há uma rebelião física do meu próprio corpo que não me permite usufruir dos pequenos prazeres da vida.

 

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