Sou anti-medicação, nunca fiz um tratamento completo com medicamentos contra a ansiedade, sempre achei que existiam outras formas de resolver a questão. A médica desistiu de me fazer tomar o que quer que fosse, quando percebeu que eu resistia à mesma. Por isso, em dias de tempestade, sempre tive apenas victans como S.O.S.

Hoje fui de manhã à médica de família por causa das dores no estômago. Ela abriu muito os olhos, olhou para mim  e disse: ” Sim temos mesmo que tratar este estômago que esta bactéria está demasiado activa (H. pylori).” e continuou “Cátia, isto vai demorar tempo a passar até porque como sabe parte dos sintomas são derivados da ansiedade. A sua vida está um caos, o seu cérebro não está a conseguir processar todas as mudanças e quem paga é o seu corpo. Enquanto não organizar a sua vida, “isto” vai ser a sua vida. Já viu que está de férias e que não consegue aproveitá-las?! Que não consegue relaxar?! Já viu o caos que vai na sua cabeça?! Até continuar com sintomas físicos por favor tome um victan por dia, ou dois ou três. Não estique a corda.”

Saí de lá de lágrimas nos olhos e sem saber muito bem o que fazer. Organizar a minha vida significa manter-me como estou ou avançar com os projectos que têm ficado na gaveta? Caos?! Tomara muita gente que o caos das suas vidas fossem apenas os “meus dramas”, mas por mais que racionalize sobre os mesmos, por algum motivo a digestão emocional e, consequentemente, a alimentar, não têm sido fáceis. O que é esticar a corda? É ceder à ansiedade, ou aceitá-la e aceitar os sintomas físicos até que o corpo/a  mente/o sistema nervoso autónomo percebam que não há nada a temer?! Sabem, não há um livro, nem instruções claras sobre o que fazer e esse é um dos meus maiores problemas.

Nos dias como os de hoje eu desespero, só queria outra pele, outra mente, só queria poder empanturrar-me de medicação para a felicidade, em que só quero recuar no tempo, uns meses, até ao momento em que me sentia cheia de vida, de energia, de projectos, e em que os victans estavam perdidos numa gaveta qualquer. E não foi assim há tanto tempo que estive no oásis mental.

Às vezes, o que ainda me revolta mais, é saber que o meu quadro clínico estava traçado há muito tempo e que ninguém ligou ao mesmo. Desde sempre que o final dos semestres eram caóticos para mim, com o corpo a ceder: cansaço brutal que se abatia, estômago em chamas, dores de dentes, borbulhas na pele, insónias,…. Sempre me trataram os sintomas mas nunca as causas, e foram estes sinais de alerta, nunca tratados, que um dia “rebentaram”.

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