Elástico ao pulso é o diário de bordo, escrito in medias res, de quem aos 25 anos viu a sua vida mudar radicalmente quando, num final de tarde, após uma corrida à beira Tejo, teve um ataque de pânico (o primeiro de uma série de muitos consecutivos).

Descobri limites que nem sabia que existiam, adiei sonhos, repensei objectivos de vida, senti-me derrotada vezes sem conta (às vezes ainda me sinto), larguei a mão das ciências exactas e pus-me a explorar as ciências sociais, a psicologia, a mente humana, as neurociências e afins, e voltei a acreditar em algo, principalmente no meu psicólogo.

Embarquei numa jornada pessoal, de auto-conhecimento e de percepção do mundo, (forçada) que não faço ideia quando nem como terminará, e que apesar do choro, da revolta e das vezes em que sinto que quero desistir (como se por acaso tivesse essa opção), me tem dado tanto.

Contudo, como sei que esta história está longe do fim, o elástico no pulso (uma das primeiras técnicas que aprendi para controlar os ataques de pânico) servirá, sobretudo,  como veículo de libertação do desespero e frustração a cada nova recaída,  de celebração dos dias bons, de toda a luta “de bastidores” que ocorre pelo meio, e como “grito do Ipiranga” de quem ainda não desistiu de “lutar”.

Ao longo destes dois anos, perdi a vergonha e fui falando e discutindo esta doença abertamente em “várias línguas” e descobri que existe uma imensidão de gente que sofre, sofreu ou conhece quem sofra, de desordem de ansiedade, em silêncio. Sei, também, que para muitos, crises de ansiedade se resumem a ataques de pânico que “se vestem” com sintomas de ataques cardíacos. Mas a desordem de ansiedade, e os próprios ataques de pânico, vão muito para além destes sintomas e é por isso que conseguem “minar” a vida de quem sofre desta doença e de todos os que lhe estão próximos

Por isso, e sem pretensões de ensinar nada a ninguém (eu ainda estou a aprender e não acredito em one size fits all), se para além de escape, este blog permitir que alguém se sinta menos sozinho nesta doença, ou que descubra alguma técnica que também o ajude, e contribuir para reduzir um pouco mais o estigma associado às doenças mentais, então terá valido mais do que a pena ter “aberto as portas” de casa.

Desde já sintam-se à vontade…

 

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